Mulé Pré-Balzaca

21.12.04


Quero não te encontrar naquele CD de R$ 2,50, nem ridicularmente sair seguindo o carrinho do ambulante até a música acabar desviando-me dos meus caminhos. Quero não comprar a blusa de R$ 29,90, porque você não vai ver-me vestida com ela. Quero que os piscas-piscas do camelô parem agora de piscar imbecilmente nesse sol de meio-dia. Quero agendar com o homem-estátua prateado um break para nós dois. Quero que sua imagem derreta junto com as velas vermelhas desse meu Natal sem grana.
Me minto na sandália baixinha, na calça Jeans sem marca, na argola de R$ 1,00. Me minto nesse corpo que anda de ônibus e rebola em seus quase trinta anos. Me minto no telefonema apressado para a amiga, nos compromissos anotados, nos meus óculos grandes.

Perdi e não foi aqui no centro dessa cidade algo de mim. E puta que o pariu, está com você.

Na sua prancha de surf, na sua juventude, no seu riso de anormal. Normal. Eu sofro é na pele desbotando a falta do sol do lugar em que você está. Transando com outras mulheres, conhecendo novas pessoas, rindo de outras piadas. Eu invejo sua disponibilidade, seu jeito para andar em cordas bambas malandramente.

Eu odeio admitir que esse vai ser o Natal sem você.
E odeio escutar que essa vontade de sair correndo até a rodoviária logo alí vai passar. As pessoas mais velhas são sábias e sabem que foi só sexo. Porque então eu ainda não sei?

Raquel


7.12.04


De mim sei muito. E do tanto que sei, o que mais sei transpirou e transformou-se em desenhos na pele. Tenho ideogramas, fada, verdes, estrelas e sonhos. Nua sou ainda mais transparente. O mundo não é mesmo muito pequeno? Cabe dentro de nós. Em nós. Eu amo Gabriel Garcia Marquez e seu realismo fantástico. Amo Roberto drummond e seus livros onde o sobrenatural é apenas natural. E você, me devolve quando Cem anos de Solidão?

Raquel


A volta tem sido cansativa. Parece que voltei do limbo. Onde é o inferno ou o céu além de dentro de nós? Saudades das amigas distantes (Beta, eu te amo para sempre, viu?). E a constatação do inexorável em nossas vidas. E do cíclico-palhaçal da vida. Contei a vocês que estou de namorado novo? Como falei na terapia, se não fosse meu ex-marido seria o namorado perfeito. Pois é, caiam no chão...
Pelo menos uma coisa me consola, original sou sempre... ahahahahahahahaahhaha
Ainda na busca de emprego, preciso tomar de volta meus saltos-agulhas espalhados pelo mundo e reassumir minha postura de gerente. Com uma tatoo enorme nas costas, mas ainda gerente.
Os trinta anos se aproximam com um velocidade estonteante. Este blog breve deixará de existir. Prometo novidades no lugar, ok?

Raquel